Pouco antes da festa, bombeiros vistoriam Sambódromo, ameaçado de interdição

Às vésperas do carnaval, o Sambódromo, grande palco da festa desde os anos 1980, está sob uma ameaça nunca antes enfrentada ao longo de sua história. A poucas horas do desfile das escolas da Série A, que está previsto para começar nesta sexta-feira às 22h30m, a Justiça determinou que os bombeiros façam uma inspeção na Marquês de Sapucaí, sob pena de interdição do espaço . Os cerca de 200 militares chegarão ao local por volta de meio-dia para realizar a vistoria prévia e, só então, estando tudo de acordo, concedem uma autorização especial para a realização do evento.

A liminar foi deferida após o Ministério Público alertar para uma série de problemas estruturais que podem oferecer risco para sambistas e para o público : fiações expostas, falta de extintores e até de para-raios. Há duas semanas, O GLOBO antecipou que a Marquês de Sapucaí não tinha autorização dos bombeiros para funcionar .No dia último dia 20,problemas estruturais foram flagrados pela equipe .

Na esteira de tragédias como o incêndio este mês no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em Vargem Pequena, em que 10 jovens jogadores morreram, há uma preocupação maior com a segurança. No processo, o MP detalha que seus técnicos, durante vistorias na Sapucaí, em outubro do ano passado e na última terça-feira, constaram irregularidades, inclusive em camarotes da própria Riotur sem extintores. Também citou reportagens do GLOBO que apontaram falhas na estrutura, que fica na Praça Onze. Durante os ensaios técnicos, até alagamentos provocados por uma forte chuva e choques elétricos assustaram quem estava nas arquibancadas. Na denúncia, a promotora Gláucia Santana observa que o Sambódromo, por não ter alvará da prefeitura e não cumprir exigências do Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico do Estado, já está proibido de realizar eventos. Em situações específicas, como o carnaval, depende de autorização especial.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Luiz Castanheira, e o presidente da Riotur, Marcelo Alves, também devem assinar um termo de responsabilidade sobre as condições de segurança do local. Alves não quis comentar a ordem judicial.

Apesar de preocupado com as consequências da decisão, Jorge Castanheira admitiu que não pode garantir que o Sambódromo seja seguro:

— Naturalmente preocupa porque estamos trabalhando há meses. Não sou especialista em segurança, então seria leviano da minha parte afirmar se o Sambódromo é estruturalmente seguro ou não. Mas posso dizer que durante os espetáculos temos o apoio de bombeiros e PM.

01/03/2019

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