Dólar para turista sai por até R$ 4,60

A cotação do dólar comercial a R$ 4,10 assustou não apenas o mercado financeiro, mas também quem já tinha viagem marcada para o exterior. Com valorização de 1,6% no pregão desta sexta-feira, 17, bancos e casas de câmbio comercializavam a moeda em papel por até R$ 4,38. Em uma das empresas de São Paulo ouvidas pelo Estado, o dólar em cartão chegou a ser vendido por R$ 4,60.

Os motivos para as altas constantes, segundo Vanessa Blum Colloca, diretora da casa de câmbio GetMoney, podem ser resumidos pelo conturbado cenário político, principalmente com o que classifica como “falta de decoro do presidente Jair Bolsonaro”, com a reação negativa da população ao contingenciamento no orçamento da Educação e com a guerra comercial entre China e Estados Unidos, que faz com que a moeda americana fique supervalorizada. Entretanto, com algumas ações, ela explica, ainda é possível garantir uma viagem dentro do orçamento planejado.

Especialistas recomendam que, caso a viagem já esteja marcada e não tenha jeito de adiar, a compra da moeda americana seja realizada aos poucos, em “lotes”. “Se a pessoa tem uma viagem mais para frente, é melhor fracionar: comprar um pouco agora e o restante depois. Caso haja algum avanço na Previdência e o Trump ficar quieto no Twitter vai cair um pouquinho”, afirma Vanessa.

Para Fernanda Consorte, estrategista de câmbio da Ourinvest, a “escalada do dólar” parece “um pouco exagerada”. Ela espera que novidades sobre o avanço da reforma da Previdência melhorem o cenário. Uma dica, dada por ela, é que, caso a viagem seja para um país que não tem o dólar como moeda local, a troca seja feita diretamente do real para a moeda em questão, e não do real para dólar e depois, por fim, para a moeda do destino. “Por pior que seja o momento em que você fez a compra, você só troca uma vez, paga um só IOF, e tem um impacto cambial só”, explica.

Juvenal Santos, diretor da Confidence, aconselha que, caso a passagem ou pacote ainda não tenha sido fechado, é melhor trocar o destino para algum local que não tenha o dólar americano como principal moeda – apesar de, claro, o câmbio da moeda dos EUA influenciar boa parte das moedas mundiais. “O segredo, até que o dólar volte a trilhar um caminho mais favorável, é procurar por algum lugar que, mesmo que sofra influência do dólar americano, tenha uma conversão do real mais favorável”, diz, citando como exemplos o Canadá e a Austrália, e seus respectivos dólar canadense e dólar australiano.

É importante ressaltar que, além do preço comercial do dólar, que costuma estampar as manchetes sobre o assunto, quem vai viajar tem de estar sempre de olho no preço do dólar turismo, que é aquele que, de fato, lhe diz respeito e contém em seu valor o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O dólar comercial serve como referência para transações de exportação ou importação do mercado brasileiro com o restante do mundo. O dólar turismo é utilizado para viagens, transações de turismo no exterior e débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito. Ele é mais caro pois é calculado com base no dólar comercial mais os custos das casas de câmbio com questões logísticas, administrativas e com seguro em caso de roubo, uma vez que as transações com dólar turismo são feitas em dinheiro vivo – as transações com dólar comercial são feitas de forma eletrônica.

E não tem jeito: se sobe o dólar comercial, também aumenta, de maneira diretamente proporcional, o dólar turismo. Em papel, o valor é menor que a opção em cartão, que inclui outras taxas.

De acordo com a startup Melhor Câmbio, que reúne os preços das principais agências de câmbio da capital paulista em tempo real, às 18h30, o menor valor para a compra em papel moeda era R$ 4,283 e pelo cartão pré-pago, R$ 4,49. Na Confidence, a cotação chegou a R$ 4,38 depois do fechamento do mercado, em papel moeda. No cartão, a cotação era de R$ 4,60 na GetMoney.

Confira abaixo recomendações das casas de câmbio.

Comprar ou esperar o preço baixar?

Vanessa Colloca, diretora do GetMoney: Ninguém tem uma bola de cristal para dizer se amanhã vai subir ou amanhã vai cair. Qualquer notícia impacta e muito. Hoje tivemos cinco pontos de oscilação, é muita coisa. O ideal é fazer a compra por lotes, de maneira fracionada.

Juvenal Santos, diretor da Confidence: Quem já está com a viagem marcada não tem muito o que fazer: deve buscar e pesquisar bastante para ver qual casa de câmbio oferece o menor valor apesar do aumento. Quem não está com a viagem marcada tem de ficar atento às alterações do mercado e quando houver queda.

Alexandre Fialho, diretor da Cotação: A gente sempre procura orientar o cliente a organizar e fazer a compra de forma parcelada. Por exemplo, se o cliente tem o objetivo de comprar US$ 3 mil e faltam três semanas para a viagem, que opte por comprar US$ 1 mil em cada semana. Desse jeito, ele se livra da angústia de querer acertar o dia que vai cair ou subir.

Fernanda Consorte, estrategista de câmbio da Ourinvest: É difícil fazer previsão para curto prazo de dólar, mente quem fala que faz. O que eu acho é que a gente tá no meio de uma tempestade perfeita e o mercado está embarcando nessa.

18/05/2019

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